O Centro Anjos da Bondade trabalha com os seguintes guias espirituais:

Pretos Velhos

Os Pretos Velhos na Umbanda são entidades elevadas que se apresentam estereotipados como anciãos negros conhecedores profundos da Magia Divina e da manipulação de ervas. São excelentes mandingueiros, mestres dos elementos da natureza, os quais utilizam em seus benzimentos e trabalhos espirituais.

Crê-se que em referência à dor e aflição sofrida pelo povo negro durante a escravidão, a Linha de Pretos Velhos reflita a humildade, a sabedoria, a paciência e a perseverança. Vale dizer que não necessariamente todos foram escravos; sua sabedoria e humildade são características marcantes e sua calma e ensinamentos são profundos, daí também a referência a estes iluminados seres da Criação. A característica principal desta linha é a sua elevada orientação espiritual.

Caboclos

A Linha dos Caboclos se apresenta na irradiação de um ou mais Orixás, pois eles próprios são filhos de determinado Orixá e perante outros foram iniciados para trabalharem em Seus Mistérios. Exemplos: Caboclo Pena Branca (de Oxóssi e Oxalá); Caboclo Pena Dourada (de Oxóssi e Oxum) e assim por diante.

Os Caboclos são espíritos muito esclarecidos e caridosos, assim como os Pretos Velhos. Tiveram encarnações como cientistas, sábios, magos, professores e intelectuais. Alguns, em determinada encarnação, foram mesmo nativos (chamados de indígenas, aqui no Brasil). No decorrer de encarnações, elevaram-se e vêm na Umbanda para auxiliar aos irmãos enfermos da alma e do corpo. Muitos são escolhidos pela Espiritualidade para serem os Guias-Chefes dos Terreiros ou então de seus médiuns, dando nomes a seus Templos.

Na linguagem comum, a palavra “caboclo” designa o homem nativo, às vezes mestiço de branco com indígena. Mas na Umbanda o significado vai além. Os espíritos que se apresentam na Umbanda como Caboclos assumem a forma plasmada de “índios” em homenagem aos povos nativos do Brasil e de outras regiões da Terra que nutriam uma forte relação de amor e de respeito à Natureza e muito contribuíram com seus conhecimentos e valores morais e culturais para a formação da nossa Pátria.

Os Caboclos nas Giras de Umbanda são um exemplo de forma de vida simples, natural, livre de preconceitos e artifícios, de arrogância e de vaidade. Sua atuação junto de nós é libertadora, própria daqueles que evoluíram.

Erês – Crianças

O termo Erê vem do Yorubá “iré” que significa “brincadeira, divertimento”. Erês, Crianças, Ibejada, Dois-Dois, são nomes pelos quais os Guias ou Entidades de caráter infantil que incorporam na Umbanda são conhecidos pelo Brasil.

Esta linha possui um alto poder de renovação dos seres, capaz de alegrar todos ao redor, sendo que o Amor é a própria energia manipulada pelas crianças. São espíritos naturais que jamais passaram pelo processo de encarnação; são seres de imensa luz e sabedoria.

No decorrer das consultas vão trabalhando sobre o consulente, modificando e equilibrando sua vibração, regenerando os pontos de entrada de energia do corpo humano. Esses seres, mesmo sendo puros não são tolos, pois identificam muito rapidamente nossos erros e falhas humanas. E não se calam quando em consulta, pois nos alertam sobre eles.

Eles manipulam as energias elementais e são portadores naturais de poderes só encontrados nos próprios Orixás que os regem. Apesar de possuírem um arquétipo aparentemente frágil, são verdadeiros magos e conseguem atingir o seu objetivo com uma força imensa. Embora as crianças brinquem, dancem e cantem, exigem respeito para o seu trabalho, pois atrás da sua vibração se revelam espíritos de extraordinários conhecimentos.

Baianos

A Linha dos Baianos da Umbanda engloba espíritos de antigos Sacerdotes da Bahia e de outras regiões, tendo a Regência direta do Orixá Iansã. Esta Linha surgiu para homenagear os antigos Pais e Mães no Santo da Bahia que foram os primeiros a trabalhar para a preservação e a divulgação do culto aos Orixás em nosso país e enfrentando toda sorte de dificuldades e preconceitos. Também tem uma ligação com os Orixás Oxalá e Oyá-Tempo, já que seu Arquétipo diz respeito a questões da Fé e da Religiosidade.

Manifestam-se de forma alegre e movimentada e gostam de uma boa conversa. Nos trazem seu axé, sua energia positiva, e têm muito a nos ensinar, sempre com uma resposta certeira e rápida para as nossas dúvidas e questionamentos.

Na sua forma de trabalhar, trazem muito das qualidades de Mãe Iansã: são bastante ativos, movimentadores, irrequietos, despachados e descontraídos. Sabem ouvir, dar bons conselhos e levantar o ânimo dos entristecidos. Neste caso, conversam bastante, transmitindo conforto e segurança aos consulentes.

Seu objetivo é nos ajudar a manter uma conduta reta na vida, para que a Lei e a Justiça Divinas nos amparem. Baiano é alegre, Baiano brinca, mas também sabe falar sério e, nessas horas, vai direto ao ponto.

Exus

Na Umbanda, as Entidades Exus compõem uma Linha de Trabalho à Esquerda. São, em geral, espíritos humanos que tiveram várias encarnações, cometendo erros e acertos, como todo ser humano, mas com um diferencial: se conscientizaram e retomaram o caminho da Lei Divina, obtendo permissão para se assentarem à Esquerda dos Orixás e trabalharem no auxílio à nossa evolução.

Os Exus absorvem e esgotam as negatividades dos seres que se desviaram das Leis do Criador, em qualquer dos Sete Sentidos da Vida. Em seguida, vitalizam as qualidades positivas dos seres e então os neutralizam, deixando seus magnetismos aptos a que retomem o caminho da evolução.

O Orixá que dá sustentação às Entidades Exus é o Orixá Exu. Na Umbanda, este Orixá não é cultuado diretamente, mas está presente e atuante, pois as Divindades existem e estão presentes em nossas vidas, ainda que alguém não as reconheça. Os Exus que trabalham na Umbanda atuam nos Sete Sentidos da Vida, ou seja, atuam nos campos de todos os Orixás. É por isso também que Exu é tido como o dono das encruzilhadas.

A Encruzilhada pode ser entendida como o encontro de duas realidades, de duas verdades diferentes, tais como: matéria/astral; razão/emoção; luz/trevas; ou, literalmente, pode ser o encontro de dois caminhos. Esta é a representação do ponto de força de Exu, pois está em todos os caminhos, em todos os lugares e passagens, e não apenas na encruzilhada de rua. Todos os pontos que marcam a entrada e a saída de uma realidade são pontos de firmeza e de manifestação de Exu.

Exu guarda a quem faz por merecer o amparo da Lei Divina, mas também intervém como Executor da Lei contra quem viola as Leis do Criador, para esgotar suas negatividades. Quando elas forem esgotadas, Exu vitaliza as qualidades positivas do ser para então neutralizar-lhe o magnetismo. A partir daí, aquele ser tem como recomeçar o trabalho evolutivo que a cada um compete.

Exu não ataca a ninguém; só intervém por um comando da Lei Maior ou quando é ativado magisticamente. Nos trabalhos religiosos de Umbanda, também a atuação de Exu é sempre delimitada pela Lei Divina, e sempre para o Bem.

Pombagiras

Na Umbanda, há uma Linha de Entidades de Trabalho que se identificam como Pomba Gira (ou Pombagira) e que atuam na chamada Linha de Esquerda. São espíritos humanos que tiveram várias encarnações e que, com o tempo, obtiveram a permissão da Lei Maior para se assentarem à Esquerda dos Orixás e trabalharem em favor da nossa evolução.

Dentro da Umbanda, o nome Pomba Gira pode ser traduzido como: mensageira dos caminhos à Esquerda. “Pomba” é um pássaro que já foi usado como correio (pombos-correios); e “gira” expressa a idéia de movimento, caminhada, deslocamento etc. Como essas Entidades atuam na Esquerda, vem o significado de mensageira dos caminhos à Esquerda.

Na Umbanda, a Pombagira é cultuada como Entidade de Trabalho, como Espírito que trabalha a serviço da Luz e que, portanto, só pode praticar o Bem. Como todas as Entidades, a atuação de Pombagira é sustentada por um Orixá. Este Orixá Sustentador manifesta um Mistério Divino e é chamado de Orixá Pombagira.

O Trono que corresponde ao Mistério Pombagira é denominado Trono do Estímulo ou do Desejo, pois esta é a Energia que Pombagira nos transmite, e com muita propriedade: o despertar do estímulo, do gosto pela vida, o “start” para levarmos avante os nossos esforços pela conquista de uma vida melhor, mais saudável e equilibrada, em todos os setores.

Marinheiros

A Linha dos Marinheiros da Umbanda trabalha no auxílio aos seres a partir do seu magnetismo aquático e de seus conhecimentos sobre a manipulação do Mistério das Águas. Nesta Linha se apresentam espíritos que em suas últimas encarnações foram marinheiros de fato, navegadores, oficiais, pescadores, ribeirinhos entre outros. É o arquétipo do homem litorâneo, daquele que sobrevive do mar e dos rios.

Nos Terreiros, a chegada dos Marinheiros traz muita alegria, com os médiuns incorporados assumindo uma postura leve, gingando pra lá e pra cá, o que pode confundir, parecendo que estariam embriagados. Contudo, é importante destacar que NÃO estão embriagados. É apenas o magnetismo aquático que os fazem ficar “balançando”. Se não vejamos: cada elemento tem o seu magnetismo, e os espíritos que se manifestam nesta irradiação têm magnetismo similar às características de sua Regência Divina, neste caso, um magnetismo “ondulante” de Mãe Iemanjá.

Ao incorporar em seu médium, o Marinheiro “bambeia”, lembrando o movimento de quem se equilibra no tombadilho de um navio ou de um barco em alto mar. Desta forma, libera energias em formas onduladas e, através dos seus “balanços” libera ondas de forte magnetismo aquático que desagregam acúmulos negativos de origem externa e interna, equilibram nosso emocional e mental e nos dão condições de gerar coisas positivas em nossas vidas. Vale lembrar que as águas simbolizam as nossas emoções e estão ligadas à origem da vida. O contato com esses seres realiza uma potente limpeza em nosso campo magnético, uma verdadeira “explosão” de energia equilibradora.

Os Marinheiros são Magos dos Mistérios Aquáticos. Atuam de forma única dentro da Umbanda, na manipulação de energias que nos libertam de bloqueios íntimos e nos dão equilíbrio emocional. Pode parecer pouco, mas hoje a própria ciência analisa e admite os efeitos dos distúrbios emocionais como geradores de várias enfermidades. De modo que a cura emocional é o primeiro grande passo para outras conquistas.

Os Marujos lidam com os consulentes de forma simpática e extrovertida, “quebrando o gelo” e deixando-os à vontade, o que facilita a recepção dessas energias equilibradoras e curadoras.

Boiadeiros

Os espíritos que se manifestam na Umbanda na Linha dos Boiadeiros são aguerridos, valorosos, de poucas palavras, mas de muitas ações. Apresentam-se como espíritos que encarnaram, em algum momento, como tocadores de boiada, vaqueiros entre outros. Os seus pontos cantados sempre aludem a bois e boiadas, a campos e viagens, a ventanias e tempestades.

O Arquétipo da Linha de Boiadeiros é a figura mítica do peão sertanejo, do tocador de gado, dos homens que viveram na lida do campo e dos animais e que desenvolveram muita força e habilidade para lidar contra as intempéries e as adversidades. O laço e o chicote são seus instrumentos magísticos de trabalhos espirituais. Eventualmente usam colares de sementes ou de pedras. São combativos, inclusive no corte de magias negativas, porque conseguem promover “um choque” em nosso campo magnético e liberá-lo de acúmulos negativos.

É um Arquétipo forte, impositivo, vigoroso, valente e destemido. Representa a natureza desbravadora, romântica, simples e persistente do homem do sertão, também chamado de caboclo sertanejo. Muitos deles foram mestiços, trazendo à nossa lembrança a essência da miscigenação do povo brasileiro, com seus costumes, crendices, superstições e fé.

Nem todos foram, de fato, “boiadeiros”, mas todos eles têm em comum a capacidade de atuar num campo específico e que caracteriza a Linha, qual seja o de nos trazer uma energia vigorosa, muito útil na quebra de cargas e magias negativas e para desfazer “cristalizações” mentais negativas, pois os Boiadeiros atuam no campo da Lei Divina e na Linha do Tempo.